A  MINHA  ALMA  GLORIFICA  O  SENHOR
POESIA DE TEMA RELIGIOSO

Gomes Leal

 

 

Miserere mei!

 

 

 

 

MISERERE MEI!...

 

Les Mères! Les Mères!

Faust

 

Às risadas entrei numa igreja às matinas.
— Conservava-se ateu meu coração corrupto. —
Eis vejo sobre o altar o estranho ser de luto,
Rasgado o coração por sete espadas finas.

 

Chorei. Prostrei-me em terra. — Essas formas divinas
Não as pude fitar de rosto calmo e enxuto!
Era a mão maternal... era o braço impoluto...
Que afastavam meus pés das ervas das ruínas!

 

Era o bafo de mãe, a indulgência, o carinho,
Era a asa que afaga o implume passarinho,
A mão que enxuga a testa ao menino, a dar ais...

 

Ó Mãe triste! Ó Mãe terna! Ó Mãe dos olhos castos!
Acolhe esta alma em pranto, hirta ao frio, de rastos,
- Qual triste enjeitadinha à porta de seus pais!